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2012

Estudo do Lactec consolida nova Base Hidrográfica do Paraná

Arnaldo Alves / AENotícias

Solenidade de entrega da nova Base Hidrográfica ao governo.

 

 

 

 

 

 

Projeto contratado pela Copel foi entregue ao governo do estado nesta sexta-feira

O estudo da Base Hidrográfica Oficial do Paraná - desenvolvido pelo Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento (Lactec) e entregue ao governo do estado nesta sexta-feira (16) -deverá garantir mais precisão e uniformidade nas ações dos diversos órgãos estaduais que atuam na conservação e uso dos recursos hídricos. Por três anos, dez técnicos estiveram concentrados no projeto, que mapeou e identificou o limite de todas as microbacias do Paraná em detalhes, com informações como o curso dos rios, nascentes, reservatórios e relevo.

Para realizar o estudo contratado com recursos da Copel, a Divisão de Geossoluções do Lactec (Departamento de Recursos Ambientais) analisou e comparou imagens de satélite com as principais bases cartográficas utilizadas por órgãos estaduais. As mais atuais eram as da Copel e do Paraná Cidade, mas continham divergência de informações. Todos os dados foram revisados, corrigidos e depois consolidados na nova base hidrográfica.

A rede hídrica identificada no estudo compõe 976.280 trechos de rios. Para cada trecho os técnicos delimitaram a respectiva bacia hidrográfica. O volume de dados gerados, entre Altimetria (relevo), rede hídrica (arquivos gerados pelo método da ottocodificação) e a base hidrográfica, totalizou cerca de 160 GB de informações.

Segundo a gerente da Divisão de Geossoluções, Daniele Félix Zandoná, o estudo representa um produto inédito, que faz do Paraná o primeiro estado brasileiro a consolidar sua base de dados hidrográficos, com homologação da Agência Nacional de Águas (ANA). "A partir de uma escala de 1 para 50 mil (tamanho 50 mil vezes menor que o real), temos uma base mais precisa, com dados trabalhados, corrigidos e editados", afirma. De acordo com Daniele, isso vai garantir que diversas atividades governamentais também tenham maior precisão quando dependerem desse mapa. É o caso dos pedidos de outorga para uso de recursos hídricos, licenças ambientais e planos de manejo.

A delimitação de todas as microbacias representa um avanço importante. Até este estudo ser concluído, o Paraná tinha apenas as macrobacias mapeadas. Algumas microbacias vinham sendo identificadas aos poucos, de acordo com a demanda por serviços que exigiam análise da hidrografia. O pesquisador César João Andreazza explica que em termos ambientais, a microbacia é a unidade de referência em qualquer estudo. "Antes dessa nova base, diferentes órgãos de estado poderiam ter diferentes visões de um mesmo rio", diz.

Além do trabalho técnico do Lactec, o estudo teve a participação de doze organismos e instituições da administração pública estadual e federal, sob coordenação do Instituto das Águas do Paraná (Aguasparaná). Ao receber a nova Base Hidrográfica, o governador Beto Richa destacou a sinergia entre os diferentes órgãos e agradeceu o trabalho dos técnicos envolvidos no projeto. "Esse estudo permite que possamos ter um planejamento do uso responsável da água e um desenvolvimento sustentável no Estado, com preservação do meio ambiente", disse Richa.

O presidente da Copel, Lindolfo Zimmer, destacou o pioneirismo do projeto, que permite conhecer melhor as riquezas naturais do estado. "Em razão de sua importância, a Base Hidrográfica Oficial do Paraná estará na internet para uso e consulta de todos os interessados, ajudando a promover o crescimento harmonioso e sustentável do Estado."

A elaboração do estudo custou R$ 1,6 milhão e envolveu profissionais do Lactec, Copel, Aguasparaná, Sanepar, Mineropar, Itaipu, Comec, Emater, Paranacidade, Secretarias da Agricultura e do Meio Ambiente, Instituto Ambiental do Paraná e ITCG.

O superintendente de gestão da informação da Agência Nacional de Águas, Sérgio Augusto Barbosa, disse que o trabalho realizado pelo Paraná é um modelo que deve ser seguido pelos demais estados porque traz um conhecimento do território necessário para o planejamento de todo tipo de investimento, especificamente na gestão de recursos hídricos. "O Brasil precisa avançar para ter uma melhor escala cartográfica e um melhor conhecimento de seu território. Isso resolve muitos problemas e reduz custos de implantação de projetos", afirmou.